sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Comentário sobre o Filme Besouro, Da Capoeira nasce um Herói

Prezados Camaradas,
A relevante idéia do filme BESOURO já é uma façanha notável. A coragem de fazer um filme épico, baseado na luta de superação de classe, das várias injustiças sofridas, brutalidades das mais cruéis e da luta capoeira que representa a liberdade de negros dos mais variados grupos, é um mérito muito grande e deve ser reconhecido não somente pelos capoeiristas mas por todos os brasileiros.
A beleza de suas paisagens, cenas que para um bom capoeira cheiram a jogo, roda e energia. Esse filho de Ogum, com o corpo-fechado, traído e, depois de muita ginga, ferido na ponta da faca de Ticum, é um mito cantado em muitas rodas de capoeira. Os vôos de Besouro, cenas quase "matrix", não conseguiram abalar a figura de um capoeirista reconhecido em todo o Recôncavo Baiano e na própria Salvador.
O filme pode ter várias incoerências cronológicas, muitos pontos de discussão, muitas técnicas de luta que não existiam na época do nosso herói, mesmo assim, é um filme, na minha modesta opinião, feito para capoeiristas e pessoas que possuem alguma afinidade com a cultura negra e suas raízes.
Besouro é um herói da nossa gente, da nossa cor, muito melhor que os heróis "orientais" ou "americanos" que vendem aos montes por aí.......
Salve Besouro!!!!
Fábio Aurélio

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Noticias

Bombeiro assassinado com 3 tiros na DF-457
A vítima seguia com a esposa quando um veículo Golf bateu em seu carro
A Polícia Civil investiga o assassinato do soldado do Corpo de Bombeiros, Leonardo da Cunha Alves, 33 anos, ocorrido à meia-noite e meia, na DF-457, em frente a um posto de gasolina, na QS 414, Conjunto 9, em Samambaia. Ele foi alvejado por três tiros, dois no peito e um na perna, morrendo no local. A polícia tem um suspeito. Mestrando Léo Bombeiro
Segundo a delegada de Samambaia, testemunhas contaram que após a suposta batida, Leonardo Alves desceu do carro e foi alvejadoFoto: BritoSegundo a delegada de Samambaia, testemunhas contaram que após a suposta batida, Leonardo Alves desceu do carro e foi alvejadoA vítima estava saindo do Hospital Regional de Samambaia onde tinha ido levar a esposa para a emergência porque ela estava com fortes dores de cabeça. Segundo os familiares de Leonardo, na volta para casa, um Golf de cor escura teria seguido o veículo do bombeiro e simulado uma batida na traseira do carro do soldado. Ele desceu do carro, uma das pessoas que estava no Golf também desceu e disparou os tiros. “A esposa dele disse que depois de matar Leonardo, o autor chegou a tentar dar dois tiros nela, mas que a bala travou e por isso o acusado não conseguiu efetuar os disparos”, comenta Lindalva da Conceição parente da vítima.A delegada Fabiana Silva e Souza da 26ª (Samambaia) conta que testemunhas viram dois veículos parados no local, resolveram parar e ajudar, achando que era um acidente, e acabaram presenciando o fato. “As pessoas pararam para ajudar e acabaram vendo o autor fugindo no veículo Golf e a vítima no chão. Ninguém chegou a anotar a placa do veículo em que estava o acusado”, comenta Fabiana. A delegada disse que um suspeito foi ouvido na delegacia e que os investigadores acreditam que outra pessoa também tenha participação. “A pessoa foi ouvida, mas não tínhamos provas concretas para ligá-la ao fato tivemos que liberá-la”, completa a delegada. A polícia ainda não sabe a motivação do assassinato. As hipóteses são de latrocínio, briga de trânsito e execução.A família de Leonardo está abalada com a morte do rapaz e pede justiça. A mãe do bombeiro diz que o filho não tinha nenhum vício, que era da igreja, quase não saía de casa e que não tinha rixa com ninguém. Ele trabalhava há 13 anos na equipe de salvamento do Corpo de Bombeiros e é lotado no 12º Batalhão. A vítima deixou três filhos, uma menina de 10 anos, um de 8 e outro de 7. Leonardo tinha como hobby dar aulas de capoeira, além de participar do projeto Esporte à Meia-Noite, cujo objetivo é tirar os jovens das drogas, diz os parentes. O soldado será velado às 20h de hoje.

Fonte: http://coletivo.maiscomunidade.com

Curiosidades

Besouro Mangangá (Besouro Cordão de Ouro)


Manoel Henrique (1897-1924), Besouro Mangangá ou Besouro Cordão de Ouro foi um lendário capoeirista da região de Santo Amaro, Bahia. Muitos e grandiosos feitos lhe são atribuidos. Diziam que tinha o "corpo fechado", que balas e punhais não podiam feri-lo. Porém, mesmo as circunstâncias da sua morte são contraditorias. Há versões de que foi num confronto com a polícia, e outras que foi na "trairagem", num ataque de faca pelas costas.
A palavra capoeirista assombrava homens e mulheres, mas o velho escravo Tio Alípio nutria grande admiração pelo filho de João Grosso e Maria Haifa. Era o menino Manuel Henrique que, desde cedo aprendeu, com o Mestre Alípio, os segredos da Capoeira na Rua do Trapiche de Baixo, em Santo Amaro da Purificação, sendo batizado como Besouro Mangangá por causa da sua flexibilidade e facilidade de desaparecer quando a hora era para tal.
Negro forte e de espírito aventureiro, nunca trabalhou em lugar fixo nem teve profissão definida.
Quando os adversários eram muitos e a vantagem da briga pendia para o outro lado, "Besouro" sempre dava um jeito, desaparecia. A crença de que tinha poderes sobrenaturais veio logo, confirmando o motivo de ter ele sempre que carregar um "patuá". De trem, a cavalo ou a pé, embrenhando-se no matagal, Besouro, dependendo das circunstâncias, saia de Santo Amaro para Maracangalha, ou vice-versa, trabalhando em usinas ou fazendas. Certa feita, quem conta é o seu primo e aluno Cobrinha Verde, sem trabalho, foi a Usina Colônia (hoje Santa Eliza) em Santo Amaro, conseguindo colocação. Uma semana depois, no dia do pagamento, o patrão, como fazia com os outros empregados, disse-lhe que o salário havia "quebrado" para São Caetano. Isto é: não pagaria coisa alguma. Quem se atrevesse a contestas era surrado e amarrado num tronco durante 24 horas. Besouro, entretanto, esperou que o empregador lhe chamasse e quando o homem repetiu a célebre frase, foi segurado pelo cavanhaque e forçado a pagar, depois de tremenda surra.
Misto de vingador e desordeiro, Besouro não gostava de policiais e sempre se envolvia em complicações com os milicianos e não era raro tomava-lhes as armas, conduzindo-os até o quartel. Certa feita obrigou um soldado a beber grande quantidade de cachaça. O fato registrou-se no Largo de Santa Cruz, um dos principais de Santo Amaro. O militar dirigiu-se posteriormente à caserna, comunicando o ocorrido ao comandante do destacamento, Cabo José Costa, que incontinente designou 10 praças para conduzir o homem preso morto ou vivo. Pressentindo a aproximação dos policiais, Besouro recuou do bar e, encostando-se na cruz existento no largo, abriu os braços e disse que não se entregava. Ouviu-se violenta fuzilaria, ficando ele estendido no chão. O cabo José chegou-se e afirmou que o capoeirista estava morto. Besouro então ergueu-se, mandou que o comandante levantasse as mãos, ordenou que todos os soldados fossem e cantou os seguintes versos: Lá atiraram na cruz/ eu de mim não sei/ se acaso fui eu mesmo/ ela mesmo me perdoe/ Besouro caiu no chão fez que estava deitado/ A plícia/ ele atirou no soldado/ vão brigar com caranguejos/ que é bicho que não tem sangue/ Polícia se briga/ vamos prá dentro do mangue.
As brigas eram sucessivas e por muitas vezes Besouro tomou partido dos fracos contra os propritários de fazendas, engenhos e policiais. Empregando-se na Fazenda do Dr. Zeca, pai de um rapaz conhecido por Memeu, Besouro foi com ele às vias de fato, sendo então marcado para morrer.
Homem influente, o Dr. Zeca mandou pelo próprio Besouro, que na atilde;o sabia ler nem escrever, uma carta para um seu amigo, administrador da Usina Maracangalha, para que liquidasse o portador. O destinatário com rara frieza mandou que Besouro esperasse a resposta no dia seguinte. Pela manhã, logo cedo, foi buscar a resposta, sendo então cercado por cerca de 40 soldados, que incontinente fizeram fogo, sem contudo atingir o alvo. Um homem entretanto, conhecido por Eusébio de Quibaca, quando notou que Besouro tentava afastar-se gingando o corpo, chegou-se sorrateiramente e desferiu-lhe violento golpe com uma faca de ticum.Manuel Henrique, o Besouro Mangangá, morreu jovem, com 27 anos, em 1924, restando ainda dois dos seus alunos Rafael Alves França, Mestre Cobrinha Verde e Siri de Mangue.
Hoje, Besouro é símbolo da Capoeira em todo o território baiano, sobretudo pela sua bravura e lealdade com que sempre comportou com relação aos fracos e perseguidos pelos fazendeiros e policiais.
Várias músicas de capoeira são sobre Besouro como a música de Amâncio (Espirito Santo), Faca de tucum:
Faca de Tucum matou Besouro Mangangá Coro -- Diz à história que mataram seu Besouro foi la na Bahia, Santo Amaro em Salvador morreu deitado dentro de rede de corda de nada valeu mandinga da tradição não se salvou

fonte: CapoWik (Portal Capoeira)